O Alfarrabista

O Alfarrabista

ALÔ, ALÔ MARCIANO (EM 28/02/26)

Demorei tanto a começar a colocar no papel o que eu penso por vários motivos. No início, achava que não tinha nada importante para dizer.

Isso eu superei quando tive certeza de que eventualmente nunca terei mesmo nada importante para dizer, mas que tenho o direito de pensar, pensar em voz alta e ainda por cima colocar esses pensamentos no papel.

Libertador mesmo foi quando entendi que o que eu penso é um ato puramente egoísta.

A síndrome do impostor, ah, essa já é coisa mais séria, mas, como bom analisando que estou há 6 anos no divã, isso já está devidamente encaminhado.

Eu sei é que entrar para o clube dos alfarrabistas foi um passo importante também. É melhor colecionar os alfarrábios alheios. Sempre tem gente que já disse ou escreveu melhor que eu sobre qualquer assunto, e isso é bom demais.

Nesse espírito, diante da maluquice que o mundo está vivendo, entre files e mais files horripilantes e, especialmente hoje, com mais uma guerra, lembrei de “Alô, alô Marciano”, canção da Rainha do nosso Rock, Rita Lee, e de seu parceiro de vida toda, Roberto de Carvalho, composta para a voz da musa Elis Regina, maravilhosamente apelidada de “pimentinha” por Vinícius.

É exatamente o tipo de texto que um alfarrabista que se preza, como eu, coleciona.

Aí vão alguns versos…

Alô, alô Marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down in the high society

Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down in the high society

A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça

Tem sempre um aiatolá pra atola Alá
Tá cada vez mais down in the high society

Ui, gente fina é outra coisa, entende?

Hoje não se fazem mais countries
Como antigamente, não é?

Ai que chique é o jazz, meu Deus

Ah, Deus

Quase quarenta anos se passaram desde que essa canção foi escrita e parece que foi escrita hoje de manhã.

O cenário muda, os figurinos mudam, mas o drama humano permanece o mesmo.

Parece que estou em um delírio coletivo travestido de realidade.

Por que me surpreendo se o maior dos alfarrabistas cravou há tanto tempo que “não há nada novo sob o sol”?

Se o que existe são versões atualizadas da mesma confusão?

Eita enredo ruim que insiste e resiste.

E, às vezes, para entender o presente, basta ouvir um disco antigo.

Fonte: Musixmatch
Compositores: Roberto Zenobio Affonso De Carvalho / Rita Lee Jones De Carvalho
Letra de Alô, alô marciano © Warner/chappell Edicoes Musicais Ltda

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